segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

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NOTAS DE ENALTECIMENTO - VELHO TAMARINEIRO


O vento norte, em brisas leves,
Acaricia teus galhos disformes
Amparado pelo tronco já centenário.
Testemunha inerte, de tantos novenários
Acontecidos ao teu derredor.
Por vezes foi mourão de arreio
Dos que buscavam na praça recreio,
E de tuas sombras, regaço acolhedor.

De certo, eras testemunha e
Parceiro das prosaicas conversas
Das senhoras sob tua copa acolhidas
Do forte sol das tardes já idas
No saudável costume da interação.
Pouco a pouco foste sendo trocado
Pelo preto e branco ainda desfocado
Da recém chegada televisão.

Quem assim te vê
Hoje parecido abandonado,
Não sabe de nós moleques audazes
Escalando, indo no alto, nos ares
Do teu ponto mais culminante
Pra admirar os carnaubais na vastidão
Com a torre de Nossa Senhora da Conceição
Bem mais majestosa, vista de teu mirante.

Pedras toscas sufocam
Tuas raízes, enfraquecendo
Teu tronco belo e enrugado,
E por tantas vezes maltratado.
Ainda assim, no Quadro és altaneiro
Ícone maior de nossa história,
Parte de minhas melhores memórias,
Meu velho amigo tamarineiro.

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