segunda-feira, 18 de março de 2013

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Sobre a cidadania: Por João Batista Freire


O homem dormiu e, quando acordou, percebeu que todas as sua ideologias, mesmo as mais críticas, conduziam o mundo para a falência da natureza, pelo menos aquela natureza que garante a vida humana e de boa parte das espécies, porque não se trata apenas de fazer prevalecer esta ou aquela ideia, mas de fazer prevalecer as condições materiais de existência. Sem a preservação da natureza, e sem uma ética que a preserve, como falar de justiça, de democracia, de cidadania? É quando entra em cena uma nova percepção, uma nova preocupação, que é a do homem na natureza que o acolhe, e que precisa dele para ser preservada. O processo de globalização, na versão neoliberal, pretendeu excluir, não só as maiorias populacionais, transformando-as em vítimas do sistema, como pretendeu excluir de suas preocupações a própria natureza, julgando-se no direito de destruí-la, a título de extrair dela, num injusto processo competitivo, dividendos ilimitados.
Parte dessa exclusão praticada pelo cruel e excludente sistema de globalização deve-se à também exclusão do corpo humano como realidade necessária a uma ética que reivindique a satisfação das necessidades materiais e à vida feliz na existência destinada a cada um. Uma satisfação que invista não só no que vem depois, mas também no aqui e agora, nesta existência material. Que cidadania pode ser imputada aos pobres, aos negros, às mulheres, às crianças, aos portadores de deficiências, aos esfomeados, aos vitimados, quando a corporeidade é extirpada da subjetividade que pensa o mundo e que o vive? Se não há corpo, o que resta? De que maneira devemos pensar a cidadania de que tanto falamos neste trabalho se nela não existe corpo?

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